Monday, August 1

É tempo de partir

Há cerca de seis meses atrás, enquanto caminhava pelas ruas de NY cheguei à conclusão que não me sentia completamente feliz e era um sentimento que me acompanhava há imenso tempo. Lembro-me de pegar no telemóvel e enviar uma mensagem à minha melhor amiga e dizer-lhe"vamos embora daqui?". Senti que depois de ter exteriorizado a minha vontade já não havia volta a dar. E assim, comecei a planear a viagem da minha vida.

Amanhã  estou de partida, outra vez. Desta vez sem data de regresso, apenas com a certeza que vou realizar um dos meus maiores sonhos, um sonho que fui adiando, talvez por comodismo ou achar que nunca era a altura ideal. Havia sempre pequenos entraves que me faziam  adiar para o próximo ano. Mas o tempo não pára e depois de cinco anos nesta terra e de alguns acontecimentos menos agradáveis dei-me conta que a vida é verdadeiramente curta para não a aproveitarmos. Parece cliche dizer que só se vive uma vez, mas a verdade é que apenas nos foi dada uma oportunidade de viver e só depende de nós tornar a nossa passagem na terra o mais enriquecedora possível. Todos temos direito a uma vida extraordinária e não devemos aceitar nada menos que isso.

Pela primeira vez em muito tempo sinto que a minha vida tem uma direcção e propósito e por nada deste mundo vou desistir antes mesmo de começar. Por razões que agora não interessam para aqui, mas que talvez um dia fale, fui-me acomodando. Dei prioridade a pessoas que não fizeram de mim prioridade, tentei mudar a minha maneira de ser numa tentativa de fazer as coisas resultar.  Fui-me anulando e aos poucos e passei a existir em vez de viver.

Foi difícil voltar a renascer, voltar a sentir-me viva. A mudança não acontece de um dia para o outro, leva o seu tempo. Perguntam-me qual é o segredo e eu apenas respondo: gratidão. Parece simples, mas não é. Há alturas na nossa vida em que parece uma tarefa completamente impossível encontrar o que quer que seja para sermos gratos. Mas é nas mais pequenas coisas que nos devemos agarrar: o facto de nos ter sido dado mais um dia para vivermos, de respirarmos, de termos um cama onde dormir, de termos as pessoas que amamos do nosso lado.  Antes de se deitarem questionem-se "como seria o dia de amanhã se acordassem apenas com as coisas que agradeceram hoje".

Vivemos numa sociedade onde os valores materiais são mais importantes que as experiências. Diariamente somos influenciados pelos media a pensar que o sentimento de posse é sinonimo de felicidade. Medimos a nossa felicidade pelo número de zeros que temos na nossa conta bancária, ou pelo tipo de carro que conduzimos ou as roupas que vestimos. Será mesmo assim? Não me interpretem mal. Ter dinheiro obviamente vai tornar a nossa vida mais fácil, mas será que nos torna mais felizes?

Uma vez numa entrevista o Jim Carey disse: "Penso que todos deveriam ser ricos e famosos e fazer tudo aquilo que sempre sonharam para que depois vejam que isso não é a resposta para a felicidade." 

Foi na fase em que estava a ganhar bem e tinha um emprego estável que me sentia mais infeliz. Comprava coisas que achava que precisava para ao final de um dia ou dois já as deixar de lado, pois o sentimento de vazio dentro de mim continuava. E foi nessa altura que me apercebi que era necessário mudar. Não sou uma pessoa de ficar a chorar pelos cantos. Sou prática. Sabia que não estava e tinha que encontrar uma solução.

Desde pequena que tenho o sonho de fazer uma road trip pelos  EUA. Quando aqui cheguei essa vontade ficou um pouco adormecida, mas nos últimos tempos era como se uma voz dentro de mim me dissesse "Vai! É agora o teu momento!"

E seguindo o meu coração é isso que vou fazer. Partir à aventura no país que se tornou a minha casa. Amanhã começa uma nova etapa na minha vida, apesar de um pouco ansiosa, sinto-me plena e feliz porque sempre soube que este dia ia chegar. E de braços abertos dou as boas vindas ao mês de Agosto. Let the sunshine in.


Podem acompanhar toda a viagem no Instagram e Snapchat - dianaferrazss 

Thursday, July 28

Thursday, July 21

Entrevista #20 - Portugueses nos EUA

Desta vez trago-vos a entrevista ao Tiago, quem me segue no Snapchat (dianaferrazss) já deve achar esta cara familiar. Ele deixou Lisboa há quase dois anos e vive neste momento em New Jersey.


Em que cidade vives?
Newark, New Jersey.

Há quanto tempo vives nos EUA?
Cheguei nos EUA no dia 4 de Novembro de 2014. Faz agora um ano e oito meses.

Como surgiu a ideia de viver nos EUA?
Eu nasci em Elizabeth em New Jersey e tendo dupla nacionalidade facilitou muito a minha vinda para cá.

Qual a tua ocupação neste momento?
Sou fotografo freelancer.

Onde vives existem mais portugueses?
Existem alguns. A cidade de Newark sempre foi conhecida por albergar uma grande comunidade portuguesa desde os anos 70. Hoje em dia já não há assim tantos.

Como lidas com a saudade? Do que sentes mais falta?
Tenho lidado bem com a saudade, apesar de no inicio a adaptação ter sido bastante longa e difícil, pelo facto de ter deixado a minha família e amigos "para trás". No entanto, sinto que vivi o tempo suficiente em Portugal e neste momento tenho outras prioridades. Sinto saudades da comida portuguesa, chegar a casa e sentir o cheirinho da comida da minha mãe, de não ter que apanhar transportes públicos para todo o lado, os concertos e festivais de rock/musica electronica que em Portugal são muito mais baratos. Sinto também falta da natureza, de sair do trabalho e estar no Bairro Alto em 5 minutos para beber uns copos com os amigos.

Quais as ideias pré-concebidas que tinhas dos EUA e que mudaram assim que passaste a viver aqui?
Nunca criei nenhuma ideia pré-concebida, mas sempre pensei que sobretudo em NY e NJ o poder de compra fosse muito grande e as pessoas se soubessem vestir bem, mas é totalmente o oposto.

Foi fácil fazer amizades? Foste bem recebido?
Fui bem recebido pelos meus pais e pelo meu irmão (eles já viviam aqui há alguns anos). Alguns amigos de infância também me receberam em festa, uma vez que durante mais de 5 anos tentaram convencer-me a mudar de Portugal para aqui. Em NY não é de todo fácil fazer amizades, porque tens uma vida tão frenética que acabas por trabalhar tantas horas que pouco te resta para alimentares qualquer tipo de relação.

Qual o ponto turístico favorito na tua cidade?
Não tenho um sitio de preferência, mas Brooklyn encanta-me pela sua arquitectura, os parques à beira do Hudson, as festas em armazéns secretos e porque tem o meu club de eleição - o Output.

Como descreves a cultura americana?
Os EUA são uma nação multicultural, com uma grande variedade de grupos étnicos, com distintas tradições e valores. NY alberga pessoas vindas de todo o mundo. É uma cidade onde se vive muito de aparências e onde o consumismo é algo assustador.

O que é que os EUA têm e que falta em Portugal e vice versa.
Os EUA para começar são um país com mais de 300 milhões de habitantes. É considerado um país rico, logo o poder económico anda de mãos dadas com o consumismo, ou seja em termos de salário ganhas aqui em uma semana o equivalente a um mês em Portugal (falando de salários abaixo da média nos EUA). É difícil comparar dois países completamente distintos.

Quais os teus planos para o futuro? Pretendes continuar a viver nos EUA?
Pretendo voltar para a faculdade e não pretendo voltar para Portugal. Está complemente fora de questão. Vejo-me a crescer pessoal e profissionalmente neste país a longo prazo.

Podem seguir o Tiago no Instagram - tiago_as_dreijerlevy